quarta-feira, 14 de novembro de 2012

futebol.


«Ontem, a liga espanhola entregou os prémios relativos à época de 2011/12 e os resultados são, numa palavra simpática, fascinantes. Então é assim: o Real Madrid, que venceu o campeonato, foi considerado a melhor equipa, mas José Mourinho não foi eleito o melhor treinador: o prémio foi entregue a Pep Guardiola pela segunda época consecutiva. Curiosamente, o Barcelona, que acabou a liga em segundo lugar, também acumulou os prémios para o melhor jogador – Lionel Messi, claro, pela terceira vez seguida – para o melhor médio – Iniesta – o melhor médio-centro – Xavi Alonso – e até o prémio fair-play, entregue a Carlos Puyol. Ora, se o Barcelona tem os melhores jogadores e o melhor treinador, como é que não foi considerada a melhor equipa? E isso já para não perguntar como é que não foi campeão. E, em contrapartida, se os melhores jogadores são do Barcelona e se mesmo assim o Real Madrid é a melhor equipa, como é que José Mourinho não é o melhor treinador? A resposta a esta e a outras perguntas semelhantes é simples: aquilo que a Liga Espanhola premiou ontem não foi a qualidade do trabalho dos treinadores e dos jogadores que atuam em Espanha na última época: foi a sua popularidade. Ora, como tão bem sabemos por cá, José Mourinho nunca foi um treinador particularmente popular aos olhos dos rivais – e foram os rivais que votaram. Em contrapartida, ninguém por cá duvida de que é suficientemente competente para construir a melhor equipa do campeonato espanhol, mesmo sem contar com os melhores jogadores. Deve ser por isso que lhe chamam “Especial”.» Jorge Maia, jornal O Jogo

domingo, 11 de novembro de 2012

one last thing/i'm gonna be.


Gratificações, não há nenhumas. Mesmo quando o esforço é máximo, a recompensa costuma ser nula. De que adianta ter boas notas em todos os testes, as pessoas acharem isso ser sinal de inteligência, se nada é posto à prova? De que vale gostar de matemática e estudar imenso? Daqui a uns anos, não me vou vangloriar com um teste. Nem com uma nota que tive no secundário. Pensando bem, está tudo a acabar. Vai haver um dia nos próximos anos em que vou deixar de ser jovem para passar a ser adulto. Que palavra feia. Tenho medo dela. Será que isso significa deixar tudo o que faço agora? Não quero. Não estou preparado para uma situação prática em que tenha de aplicar conhecimentos teóricos, não estou preparado para deixar de fazer diretas, não estou preparado para deixar a minha família, não estou preparado para seguir uma vida diferente da esperada. É tudo o quero e é tudo o que não consigo. Não quero acordar um dia de manhã com um pack de cervejas num qualquer motel, com uma barriga tipicamente inglesa, para ir trabalhar num qualquer emprego entediante. Quero acordar de manhã e ver os desenhos animados do zig-zag, comer os chocapics do lidl, ir trabalhar feliz e ser respeitado. Quando sair de lá, quero ligar a toda a gente e embebedar-me como sempre. Todos os dias. Quero sentir algo novo todos os dias, até não existir nada mais. Beber todo o tipo de álcool e gostar de todos eles. Ou então não. Felicidade é sempre bem-vinda, mesmo que seja camuflada. Apesar disso, toda a gente sabe que não são os resultados académicos que deixam alguém feliz. Ao menos, as alterações de estado de espírito relembram-me que estou vivo. Humano, como os demais. E hoje nem vou dormir. Vou jogar até me doerem os dedos, vou ver televisão até me doerem os olhos, vou deixar o facebook ligado toda a noite só porque sim, vou ver a trilogia do Padrinho, mas, o mais importante, vou continuar a escrever. Alguns sonhos são demasiado grandes para só existirem na mente de alguém. Vou aprender a andar de skate, vou comer bolas de Berlim todos os dias, vou mostrar tudo isso. E amanhã vou acordar às 17 e 50, vou ver o Porto a ganhar a Académica, e só depois é que vou tomar o pequeno-almoço, nem que saiba a jantar. Só porque mereço. E que se foda quem diga que não.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

miss me. (repetições)


Por amor de deus, calem-se com a Casa Dos Segredos. Já sei que o Wilson matou o Hélio e ele planeou tudo. Parem de partilhar os vídeos e dizerem ao mundo que ele foi tramado. A vossa preocupação por estranhos é realmente reconfortante. Eu que nem sou religioso, tenho vindo a rezar. Por favor, Deus, faz com que se calem. As minhas preces parecem ter sido ouvidas e o burburinho de fundo que irrita qualquer um tem vindo a diminuir. É a condição humana. Se antes de barafustar pensasse um pouco, apercebia-se que toda essa resignação para com o programa só aumenta audiências e o resultado obtido é exatamente o que os produtores desejam. Mais publicidade gratuita. Então, arranjem outras coisas de que falar, mais produtivas. Falem da amizade, é algo importante. Faz-nos cometer loucuras se for verdadeira e leva-nos à exaustão. Contudo, no final, vale sempre a pena. Olhar nos olhos de alguém e ver admiração ou amor é um dos melhores confortos que podem existir, fazendo-nos sentir quentes e abraçados em qualquer circunstância. Quando se acorda maldisposto e rabugento pela manhã, às vezes uma mensagem ou um telefonema são capazes de resolver todos os problemas. Este tipo de amizades devia ser estudado por uma qualquer ciência. Uma inovadora e dependente da condição humana. Afinal, não é assim tão má. Faz-nos viver em terras cinzentas e faz-nos sentir enormes.