sábado, 23 de março de 2013

murder in the city.

As minhas mãos não se movem como mãos normais. Vagueiam por vários lugares visitando almas vis, como se fossem feitas de matéria imaterial. Triângulos com quatro lados criam possibilidades irreais e ninguém se apercebe do inimaginável. Como se sonhar não fosse ótimo, como se não fosse o nosso destino quebrar barreiras inexistentes. Comecem todos a ver lcd’s a preto e branco, comecem alguns a ver o céu sem cor, comecem poucos a ver que a terra é inexistente e que ninguém comece a achar que é incorpóreo, porque incorporar a inexistência no que não existe e existe, apesar de se o ver, é demasiado. É demasiado que o incorpóreo dê lugar à sentimentalização de algo novo. A referência aos lcd’s não se torna nada mais do que a falta de um objeto, visto que eu adoro televisões, apenas gostava que este lcd particular, este lcd de milhentas polegadas que têm uma moldura pré-histórica em sua volta, estivesse no meu quarto. É o melhor televisor. A moldura é em tons de castanho, com alguns traços de barroco. A imagem é distorcida porque alguns dos pixéis estão estragados (como eles são bonitos assim, estragados). Apesar de ser um lcd, funciona a cabo de 21 pins porque hdmi é sobrevalorizado. Dá 305 canais e nem tdt ou tv cabo tem. Cada canal tem a sua própria rede privada e só sintoniza para ela, a televisão. Eu quero esta televisão no meu quarto. Eu não quero que ela sintonize em mais lado nenhum. Ou então, que é mais aceitável, que tenha um tricentésimo sexto canal só para mim. Eu sei que tem.


segunda-feira, 18 de março de 2013

efflictim.

Peço desculpa a quem magoei. Não sei o que faço. E se não tenho por hábito escrever para alguém ou por alguém, hoje de noite é diferente. A vida não é justa. Pensando em toda a sequência de eventos que ocorreram para chegar aqui, é, no mínimo, irónico. É irónico que seja agora e tenha sido hoje. É irónico que precise de amor. É irónico que precise de descansar e que precise de carinho. É irónico que, de alguma forma ainda por analisar, precise de ti. Não sei como lidar com este tipo de situações, pois nunca me aconteceu. Volto a pedir desculpa em adiantado porque não sei o que fazer. Por um lado, eu quero. Por outro lado, eu não te “conheço”. E será que devo seguir os meus sentimentos ou a racionalidade? Reajo das duas formas e não sei que te dizer sobre isso. Chamemos-lhe destino para o propósito deste texto. Sendo sincero, nunca conheci alguém com uma personalidade tão vincada. Também não conheço muitos com quem quase escreva mms’s. Fico à espera.

quinta-feira, 14 de março de 2013

clarity. (II)

Nunca tratei a tristeza como algo propriamente clínico, mas estava mais do que na hora de mudar esse pensamento. A dor propriamente dita existe e mesmo que o seu grau varie de pessoa para pessoa, o sofrimento psicológico está lá e esse pode ser bem pior que uma doença. As minhas roupas também já se sentiram tristes e completamente descarregadas e percebo o que uma pessoa pode passar. Também sei que muitas pessoas afirmam que amor não é causa de tristeza, mas não é o amor. É a rejeição, é a frustração, é o amor-próprio que destrói qualquer um. Portanto eu compreendo-te, mesmo que não simpatize contigo. Mesmo acreditando que qualquer pessoa deve encontrar força dentro dela e não em segundos. Por outro lado, a perda pode ser equiparada a uma patologia. A dor não será menos real. E admitir a existência de tal dor perante tanta gente assusta-me e encanta-me. O mundo nunca foi feito de heroicidade, mas sim de momentos. E um momento muda ideais e um momento altera pensamentos. E um momento pode deixar um só pensamento na mente de alguém o dia inteiro.