terça-feira, 9 de abril de 2013

Sem óculos (a epifania das flores).

As flores são belas. Não há ninguém que me faça pensar o contrário. Até flores murchas são belas. As rosas, os cravos, as margaridas, os malmequeres, as tulipas e outras tantas cujo nome não me recordo. Nascem no alcatrão, nas florestas, nos jardins, nas quintas, na madeira e em outros tantos sítios. A sua vida é bastante simples, é água e sol. É nascer, crescer, morrer. Às vezes nascem sozinhas, às vezes nascem juntas a milhares de outras. Umas são amadas, outras são pisadas. Outras recolhidas e analisadas. Há pessoas que são flores. Há carneiros que são flores. Há mundos que são flores e há flores que são mundos. Há computadores que são flores. Existem flores estreitas e compridas. Existem flores caídas no chão. Uma flor não é só um objeto ornamental, é uma vida de solidão e inércia. É a falta de ação e de compreensão que as define como  seres naturais. Elas nascem e crescem sem opinar sobre o assunto e nem decidem de que lado da cama irão dormir. Quando morrem, quem me diz que não são finalmente livres? Somos todos flores.



domingo, 7 de abril de 2013

TRASHWANG.




"MIGHT FUCK AROUND AND BE A GOAT NAMED FELICIA! Sorry, got a little excited, it's probably from all the meth Walt. Jr. provided."

quarta-feira, 3 de abril de 2013

answer.

Falam. Todas as pessoas que têm boca, falam. Podem não ter nada de útil para dizer mas, mesmo assim, tentam emitir sons, sons esses que são incomodativos, que é para não dizer que me irritam. São opiniões que nada acrescentam a ninguém, não têm importância e são ridículas. Faz-me querer arrancar os ouvidos. Ainda se espantam que alguém esteja sempre com os phones ligados ao telemóvel. São as conversas de merda que se ouvem no café, são os treinadores de bancada, são os diálogos que são uma tentativa frustrada de comunicação, é tudo isto que não consigo suportar. São as mentiras descaradas, é a hipocrisia em qualquer canto, são os falsos ideais idolatrados, é a não-aceitação de factos irrefutáveis. É a burrice que se vê, é a burrice que se ouve. É acreditar que existe uma sexta-feira por ano em que não possa comer fiambre, é acreditar que entrar num sítio e ouvir pedófilos a falar redime tudo o que é pecado, é acreditar que não se pode ser religioso sem ir à igreja, é acreditar que discordar da interpretação da religião se torna heresia, é acreditar que para se ser uma família seja necessário tomarem o pequeno-almoço juntos. E disto são todos hipócritas, criticam sempre que avistam sangue, cumprimentam-se e abraçam-se como comadres, voltam a criticar-se como comadres, não irmãs. É acreditar que o Homem não nasce livre, é acreditar em penitência, é acreditar que não são todos iguais, é acreditar que o esforço de alguém define essa pessoa. Acreditam todos e ninguém acredita que possam estar errados. Não admitem essa mesma possibilidade, a possibilidade de todas as crenças serem inexistentes, como eu admito a possibilidade de todas as suas crenças serem verdadeiras. É oferecer cafés já pagos. Não se pode acreditar na bondade humana. “Não há almoços grátis”. Não admira que tenha 2 pares de phones.