domingo, 29 de setembro de 2013

dear sixsmith,

Sonmi - "Our lives are not our own. From womb to tomb, we are bound to others. Past and present. And by each crime and every kindness, we birth our future."

Frobisher - "And all becomes clear. Wish I could make you see this brightness. Don't worry, all is well. All is so perfectly, damnably well. I understand now, that boundaries between noise and sound are conventions. All boundaries are conventions, waiting to be transcended. One may transcend any convention, if only one can first conceive of doing so. Moments like this, I can feel your heart beating as clearly as I feel my own, and I know that separation is an illusion. My life extends far beyond the limitations of me."

Henry Goose - "There is only one rule that binds all people. One governing principle that defines every relationship on God's green earth: The weak are meat, and the strong do eat."

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

blood on the leaves.

That summer night holding long and long, 'din long
Now waiting for the summer rose and (breathe)
And breathe and breathe
And breathe and breathe
And breathe and breathe
And live and learn
And live and learn
And living and living like I’m lonely
Lonely, lonely
And living all I have
And living all
And live
And live

auto-tune. vão ouvir, aqui.

20 wave caps.

Tive o meu primeiro dia de aulas na faculdade. Não pertenço em lado nenhum. Não vou à praxe, mas não sou contra. As turmas são muito grandes. Comi bacalhau com natas. Dói-me os olhos, dói-me a cabeça, dói-me as costas. Conheci poucas pessoas. Toda a gente parece tão feliz, tão sorridente. E eu ando por lá sem orientação, com vergonha. Candidatei-me também em segunda fase. Acho que entro. Estou cansado disto tudo. Dos sorrisos gerais, das conversas globais, da estupidez. Sinto-me analisado. Às vezes gostava de ser invisível. Gostava de não existir. Estou farto de olhar para toda a gente e metade não merece. São todos fantásticos e inacreditáveis. Às vezes pareço ser ator. Quero sair de casa. A pressão é acima do suportável e todos os dias trabalho para me esquecer dela. Convivo com aquele tipo de pessoas que é capaz de me culpar se eu tivesse cancro. Se eu não soubesse melhor, diria que é por comer poucos legumes. Estou farto de ter que dizer que sim, abanar a cabeça. Quero abanar o dedo médio e ninguém me deixa. Se como muito é porque sou esfomeado e se como pouco é porque sou ingrato. Existe a porção correta de comida a comer, exatamente à grama, e não me deixam comer menos ou mais. Não que eu me importe. Ainda como o que quero. Estive doente durante uma semana. Eu tenho culpa por estar doente. Porque sim. Sou visto como um alvo fraco e já muito esburacado e até apetecível. Muitas pessoas não conseguem sobreviver sem reclamar. Eu deixo-as viver e até mudo de papel a toda a hora, sou como uma fotocopiadora a laser com precisão. Deixem-nas viver e deixem-nas falar. O meu único consolo é que vamos todos morrer e isso ninguém ludibria. Podem mentir o que quiserem, podem aparentar ser diferentes e corretos mas vamos todos ser corridos ao mesmo banco. Não é o facto de se ser mau, mas chegou ao momento em que sou o pior. O problema de toda esta gente é que vive de momentos singulares. Tenho a certeza que se pode ser fantástico em equitação, pólo aquático, economia, futebol, mecânica, construção civil, medicina. Raios, até podem descobrir a cura para tudo o que é doença. Se por acaso não se souber cozinhar, é-se uma merda. É verdade. Há pessoas que acham que abrir a boca é um ato de inteligência. Estive com o meu tio há algumas semanas. Despedida dele: "Então Miguel, vá, adeus, vê se lês menos que isso faz-te mal!"... Sim. Eu acho que é isso que me deixou doente. Outros aspetos familiares é que não tenho utilidade para nada. Acabei matemática com 19 de cif. A minha mãe tem um problema matemático que envolve áreas e alturas e esse género de coisas. O meu irmão teve negativas no décimo segundo a matemática. A quem é que ela pede ajuda? Ao meu irmão. Ele não resolve, porque não sabe. Eu sei. Ela não me pede a mim. O meu irmão diz-me que abanar a colher no café, aquece-o. Eu digo-lhe que não, que estudei coisas dessas. Ele diz que é a energia cinética. Eu digo-lhe que não produz calor. Ele diz que sim. Eu digo-lhe que estudei durante 2 anos e que sei mais do que ele nisso. Ele diz que eu estou errado porque ele viu isso na televisão. Eu tenho a certeza que quando acabar o meu curso, daqui a 5 anos, eles vão ter problemas nos computadores e vão pedir ajuda ao vizinho que é eletricista. E depois perguntam-me porque sou uma pessoa isolada. Vivemos num mundo em que se não dermos valor a nós próprios, não existimos. O café dos bêbedos depressivos é um sítio calmo. As pessoas entram, bebem e calam-se. Não chateiam ninguém. Ninguém é senhor doutor ou ministro. São todos iguais. O resto é perfeito ao olhar do nosso senhor. Deixai-os viver.